Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A Titi já volta

A Titi já volta

Guia sobre o que ver e fazer na ilha La Digue

A descontraída ilha das bicicletas nas Seychelles

InShot_20221113_192443845.jpg

A quarta maior ilha das Seychelles é pequena em tamanho e grande em paisagens paradisíacas.

A ilha foi batizada com o nome do barco dos franceses que a povoaram em 1768. Tem a sua marca na história como um dos principais centros de produção de copra e baunilha. Atualmente, o turismo é a sua principal fonte de desenvolvimento.

É a ilha de eleição para quem pretende tranquilidade, apreciar os costumes locais e desfrutar de magníficas praias. Todas as pessoas cumprimentam os turistas e estão sempre prontas a ajudar. É por isso conhecida como a ilha da boa energia.

Alguns turistas visitam esta ilha numa excursão de um dia. Desta forma é impossível desfrutar dos seus encantos e por isso recomendo pelo menos dois dias. Três dias é o ideal para conseguir aproveitar todas as praias e recantos.

Neste guia, resumo o que pode visitar nesta ilha e descrevo algumas dicas sobre a minha experiência em La Digue.

 

Transportes:

A forma de chegar a esta ilha é de ferry a partir da ilha Mahé ou da ilha Praslin.

Na ilha La Digue o principal meio de transporte é a bicicleta.

Como viajei de mochila e o meu alojamento era perto do ferry, no dia da chegada consegui deslocar-me a pé. Para quem viaja com mais bagagem terá de solicitar um transfer ao seu alojamento.

Aluguei bicicleta no meu alojamento para dois dias com um custo de 100 rupias por dia. É também possível alugar bicicleta junto ao porto.

 

O que ver e fazer na ilha:

L'Union Estate Park

É no extremo oeste da ilha que fica o local que todos os turistas que viajam até La Digue anseiam visitar.

A entrada no parque tem um custo de 150 rupias e o acesso pode ser realizado de bicicleta. Até à praia são muitos os locais de interesse que merecem uma paragem.

Após a entrada terá a oportunidade de fazer um memorável e autêntico passeio de bicicleta a desfrutar da natureza.

InShot_20221113_173811117.jpg

Passamos por um cemitério histórico e por uma quinta com animais. E ainda podemos observar as plantações de baunilha e coco que marcaram a história desta ilha. “Plantation House” é um dos exemplos mais antigos da arquitetura colonial francesa nas Seychelles.

Mais à frente, as tartarugas gigantes de Aldabra são mais uma atração deste parque. Contudo, não têm a mesma liberdade e felicidade das tartarugas que vivem na ilha Curieuse.

Logo depois chegamos à praia mais fotografada do Mundo.

InShot_20221113_173937831.jpg

 

Anse Source d'Argent

Uma praia de areia branca com palmeiras, um mar azul turquesa e variadas formações rochosas de granito.

Foi a minha primeira praia nas Seychelles e também a mais movimentada que frequentei em todas as ilhas, provavelmente devido à sua fama. É considerada uma das praias mais bonitas do mundo e é realmente linda.

São as enormes rochas de granito que a destacam e a tornaram a praia mais fotografada do mundo. É impossível resistir e não tirar imensas fotografias. Cada recanto merece um destaque.

Algumas rochas, ao sofrerem a erosão provocada pelo mar e vento, parecem esculturas e até existem lendas associadas a algumas rochas.

InShot_20221113_175546997.jpg

Foi nesta praia que tive uma das aventuras mais divertidas nas Seychelles.

 

Crystal Water kayak Robinson Crusoe Tour

A tour mais popular da ilha acontece num kayak transparente que permite descobrir e explorar a vida marinha. As vistas panorâmicas sobre a costa e as rochas, com a verde vegetação de fundo, pela perspetiva do mar são incríveis.

A aventura começa em Anse Source d'Argent onde se tem a oportunidade de observar formações de corais com pequenos peixes ao mesmo tempo que se tenta controlar o kayak e contraiar o vento. Depois passamos por praias apenas acessíveis pelo mar, como por exemplo Anse Pierrot.

Pelo caminho temos a oportunidade de admirar a vista panorâmica das praias desde o oceano e é difícil escolher entre estar atenta ao kayak ou tirar fotos às icónicas rochas. Mas é exatamente por isso que a qualquer altura podemos deixar de remar os kayaks e pedir o serviço vip em que os kayaks vão em fila e são puxados pelo barco.

InShot_20221113_171831056.jpg

Os guias são muito divertidos e contam várias curiosidades e lendas que existem associadas a algumas rochas por onde vamos passando.

Na chegada à deserta praia Anse Pierrot fizemos uma caminhada. Esta praia é também chamada pelo nome do filme Robinson Crusoe que ali foi filmado em 1980. Visitámos a gruta e depois fomos até um local com uma vista incrível lateral sobre a praia e costa.

Mais à frente encontramos uma piscina natural de origem granítica e fósseis de corais. Um momento onde se adquire conhecimento e se vê os efeitos das alterações climáticas e as suas implicações sobre a natureza.

Regressámos depois à praia para uma aula de sobrevivência na ilha sobre como abrir um coco. Foi mais uma hilariante aventura.

InShot_20221113_172323464.jpg

Depois regressámos com os kayaks já durante o início do pôr do sol. Foi uma experiência memorável.

Este passeio de 3 horas teve um custo de 40€ e deve ser reservado antecipadamente. O horário de início varia de acordo com a maré.

Já tinha adorado a praia Anse Source d'Argent, mas apreciar a sua beleza pelo mar colocou a praia em outro patamar e só aí percebi porque é uma das mais bonitas do mundo.

No final da tour ainda apreciei o pôr do sol nesta incrível praia.

InShot_20221113_172705207.jpg

 

Anse Reunion

É uma praia grande e que está quase sempre deserta por não ser uma praia ideal para nadar devido ao recife de coral.

Contudo, é um lugar muito apreciado para observar o pôr do sol.

InShot_20221113_174215356.jpg

 

Grand Anse

Para chegar à costa leste de bicicleta terá de contar com algumas subidas e descidas que tornam o caminho mais desafiante e cansativo em ambos os sentidos.

Mas o esforço é inteiramente compensado ao encontrarmos uma praia com um ar mais selvagem e menos frequentada. Em 2013 foi escolhida pela CNN como a melhor praia do mundo.

A praia está rodeada de vegetação e as habituais rochas de granito. Sentir e ouvir o som das ondas do mar nesta praia deserta é mais uma experiência.

Contudo, não é uma praia para ir a banhos devido ao mar ser mais agitado, com ondas e correntes.

InShot_20221113_183644094.jpg

A maioria dos turistas que visita esta praia tem o objetivo de fazer um trilho.

 

Trilho de natureza Anse Caiman

O trilho começa em Grand Anse e termina em Anse Caiman, passando por praias ainda mais selvagens. Aconselho a fazer este trilho com ténis e evitarem os horários de maior calor. Tem quase sempre sombra mas a humidade torna a caminhada um desafio.

InShot_20221113_183308496.jpg

Petit Anse

Após uma caminhada de 5 a 10 minutos desde Grande Anse, chegamos a uma versão mais pequena da praia anterior. Um mar azul muito convidativo, mas mais uma vez não é uma praia para nadar com tranquilidade devido às correntes e forte ondulação.

InShot_20221113_184052865.jpg

Anse Cocos

Após mais 20 minutos de caminhada e com o azul e verde sempre a acompanhar, chegamos a Anse Cocos.

É uma praia ainda mais selvagem devido ao seu difícil acesso. O percurso não está sinalizado, mas é intuitivo e ainda mais fácil de seguir com a aplicação maps.me. Logo na chegada encontra-se o Coco Bar, ideal para um merecido refresco.

InShot_20221113_184832688.jpg

Nesta praia sente-se uma tranquilidade indescritível. E é no fim de Anse Cocos que está a melhor parte, uma pequena baía onde é seguro nadar e ainda praticar snorkeling.  É por esta razão que recomendo visitar a praia na maré vazia.

InShot_20221113_185438040.jpg

 

Praias no norte e leste a pedalar

Um magnífico passeio de bicicleta ao longo da costa norte é mais uma aventura que permite terminar a volta em bicicleta à ilha. Este passeio de pedalar com vista implica constantes paragens para admirar e fotografar a paisagem.

 

Anse Severe

Uma praia agradável para descansar, nadar e praticar snorkeling. A praia é grande, mas na maré alta fica com pouco espaço de areia.

Existem várias sombras originadas pelas árvores. Duas tartarugas vivem ao redor da estrada que dá acesso à praia onde também existe um agradável bar de praia.

InShot_20221113_191440471.jpg

 

Anse Patates

É uma praia pequena e muito fotogénica. Uma beleza inexplicável com as rochas e palmeiras que a tornam um cartão postal.

Um azul do mar intenso e convidativo fez com que o passeio de bicicleta fosse interrompido para um mergulho.

Depois de Anse Source d' Argent, esta foi a minha praia favorita em La Digue.

InShot_20221113_170142654.jpg

 

Anse Gaulettes

A partir desta praia o mar é mais agitado e não tão convidativo como nas praias anteriores. Apesar de não ser uma praia para passar tempo, a paisagem é sempre magnífica.

 

Anse Grosse Roche

A praia deve o seu nome a um grande rochedo que ali existe.

 

Anse Banane

O mar tem pouca profundidade para nadar. No caminho é bem provável que encontre uma tartaruga a passear na estrada.

Esta praia é procurada principalmente por quem visita o restaurante Chez Jules que ali se encontra com vista para a praia.

InShot_20221113_190416572.jpg


Anse Fourmis

Esta praia marca o fim da estrada na costa leste e completa a volta à ilha em bicicleta.

A praia não tem muito interesse, mas no caminho existem umas casas típicas que merecem ser apreciadas.

InShot_20221113_170834200.jpg

 

O meu roteiro em La Digue:

Dediquei três dias a esta magnífica ilha. Durante dois dias explorei a ilha de bicicleta e no último dia apenas relaxei numa praia.

O primeiro dia foi inteiramente passado em L’Union State Farm, onde aproveitei a praia Anse Source d’Argent e fiz o tour de kayak. Foi onde tomei consciência do local único que são as Seychelles.

No segundo dia de manhã fiz o trilho desde Grand Anse até Anse Cocos. Durante a tarde explorei a costa norte e leste, passando por Anse Severe, Anse Patates, Anse Gaulettes, Anse Banane e Anse Fourmis.

No terceiro dia a manhã foi totalmente dedicada a aproveitar a praia Anse Severe. Escolhi esta praia porque era acessível a pé desde o meu alojamento. À tarde apanhei o ferry para a ilha Praslin.

 

Alojamento:

Fiquei alojada no Chalet Bamboo Vert em regime de meia-pensão. O quarto era simples, mas tinha tudo o que era necessário para passar a noite. Localizado na zona de La Passe e a 10 minutos a pé do ferry.

O pequeno-almoço era muito bom e só não aconselho o regime de meia-pensão tendo em conta a oferta e a diferença de preço. A comida era boa, mas os takeaways também teriam sido uma boa opção para o jantar nesta ilha.

Para orçamentos mais relaxados destaco o resort Le Domaine de L’Orangerie. Um hotel de frente para a praia, luxuoso e que me pareceu turisticamente agradável.

 

Restaurantes:

Destaco alguns restaurantes, bares e takeaways na ilha La Digue.

  • Glorious bakery: uma padaria que é uma boa sugestão para comprar lanches.
  • Rey & Josh Cafe Takeaway: o melhor takeaway da ilha e com doses generosas.
  • Julie's Takeaway: outra opção económica com boa comida.
  • Chez Jules: um restaurante com vista mar e com preços mais elevados.
  • Coco Bar: um bar em Anse Cocos ideal para um refresco após o trilho.
  • Bikini Bottom beach bar: um bar de praia em Anse Severe.

 

Na ilha La Digue vive-se uma tranquilidade invejável onde se mantém tradições locais e um espírito descomplicado.

Anse Source d’Argent, Anse Cocos e Anse Patates foram as praias que mais gostei nesta ilha.

Adorei os dias que passei em La Digue e sinto que desfrutei ao máximo dos seus recantos. As bicicletas, os coqueiros, as rochas de granito, as tartarugas, as pessoas, o pôr do sol e as cores vão ficar na minha memória.

A aventura nas Seychelles continuou em outras ilhas.

 

Até à próxima ilha!

Titi